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1.10.10

Gancho Trautman DIY

O membro do Instructables.com marc.cryan fabricou em casa, com uma impressora 3d Cupcake da MakerBot Industries, um gancho Trautman, provando que o design industrial já saiu das mãos da indústria comercial. 


Apesar de não modificar o projeto original - a versão que ele imprimiu é uma das mais comuns - ele se esforça para explicar todo o processo de modificação do modelo virtual. Apesar de utilizar programas avançados no preparo dos arquivos, há opções mais simples para os iniciantes, como o netfabb e o skeinfoge



Setup para o designer hardcore

Para quem também quer fazer (e para quem tem um impressora 3d), aqui está o link para o instructable em questão.

Mais por Menos?

Quando falou sobre a crescente participação e importância da impressão 3D em projetos prostéticos, Scott Summit chamou minha atenção para algo ainda obscuro: como funciona a relação de valor em um sistema sem padrões? 


Scott Summit mostra uma das próteses
de sua empresa em uma palestra
Summit, que é diretor executivo da Summit e professor de design industrial na Stanford University, apresentou esse ano palestras sobre como a produção em massa assume uma característica totalmente oposta ao atual padrão: ao contrário da uniformidade constantemente desejada e certificada nos processos insdutriais, agora fabricar cada unidade diferente da anterior não é desafio maior que fabricar todas idênticas.

As possibilidades para as áreas médicas, cujos produtos são de design inerentemente pessoal, talvez ainda estejam além da nossa expectativa e muito além dos atuais projetos propostos, principalmente quanto a complexidade. Este é, inclusive, um dos pontos mais discutidos por Summit em suas palestras, em que ele trata o fator complexidade como algo gratuito. Não é mais caro fazer mais, ao contrário das técnicas produtivas tradicionais. Mantidas as devidas considerações - de que um modelista digital gasta, sim, mais tempo em um modelo mais complexo, por exemplo -, quando se fala em fabricação, ele tem considerável razão.

"Você quer todos os opcionais em um produto? O preço é o mesmo. Geometria é gratuita. Complexidade é gratuita."





Modelo em CAD de uma braçadeira
para pós operatório de ACL
Peça fabricada por sinterização

Além das aplicações estéticas e de interface, como o escaneamento da parte restante do membro amputado e encaixe preciso do adaptador gerado, a impressão 3d possibilita a interação de formas orgânicas e mecânicas. Com um modelo bem estruturado, de resistência garantida por simulações, pode-se chegar a soluções técnicas mais espaçosas e a eletrônica deixa de ser sinônimo de grande e desajeitado.


Mão scaneada por empresa especializada
 e em processo de modelagem
Peça pronta




Super Prosthetics Project

Becky Pilditch conduz no Royal Art College em Londres um experimento que mistura arte e prostética, com a ajuda de sua amiga Holly Frankling.

Opções, opções


Enquanto Becky descobriu seu interesse por membros mecânicos durante sua graduação em Engenharia Mecânica, Holly percebeu que a perda do antebraço esquerdo aos 29 anos devido a uma má formação vascular congênita dava a ela a oportunidade de experimentar - na pele - algo que poucos podem. Fabricando e modificando dezenas de modelos diferentes, variando os materiais e técnicas, as duas testam como o braço manufaturado pode ser um objeto de escolha e identidade da usuária.
Mantendo a propriedade sobre o espaço provido pelos variados braços que usa, Holly quer desafiar a idéia de próteses feitas para os outros, de forma semelhante ao desafio que as tatuagens já representaram ao excluir o tatuado do padrão.

Seu braço tem de ser, necessariamente, rosado?

Experimento No 5 - Mão de Vidro
Experimento No 6 - Dedos Transparentes

Experimento No 7 - Mão de Marionete



Set de Gestos  - Diferentes mãos para diferentes expressões


Holly tem hoje um site contando suas façanhas - como colocar pasta de dentes na escova, ou descascar uma banana - e atacando de designer de produto com seu próprio prendedor-de-cabelos-para-uma-só-mão

30.9.10

Bare Bones

O designer de produto norueguês Hans Alexander Huseklepp usa de um argumento que me foi bastante convincente ao propor a Immaculate, uma prótese conceitual que deixa de lado as típicas peles de silicone.


          

Como propõe Hans, as próteses encontradas no mercado hoje são esqueletos tecnológicos - mecânica ou eletrônicamente - cobertos por simulações de músculos e pele até certo ponto convincentes. Entretanto, quando "desmascarado" um membro prostético tende a causar repulsa ao observador, em uma reação sub-consciente de  "que diabos é isso?". Esse fenômeno, que pesquisadores chamam de Uncanny Valley Effect, algo como o Efeito Vale do Sinistro, é comum em aplicações robóticas que tentam replicar realisticamente características e comportamentos humanos.

A proposta do Immaculate é de driblar o tal Vale e "ao invés de tentar ser carne e osso, tentar ser algo além", nas palavras de Hans. A prótese funciona por integração com o sistema nervoso central do usuário.
"As juntas de esfera permitem total liberdade de movimento, as placas de corian permitem uma interface embarcada e sua interação com a malha têxtil cria uma identidade gráfica distintiva. Quero aplicar a mesma filosofia dos óculos, que de puramente funcionais chegaram a objeto de identidade e moda". 

Mais de Hans Huseklepp no Coroflot dele.


29.9.10

Prostética Open Source

Concordando com o que muita gente já disse, acho que a mudança mais significativa de todas na banalização da tecnologia é a possibilidade de se fazer em casa o que é feito nos grandes laboratórios industriais, só que melhor.

O Open Prosthetics Project (OPP) é uma comunidade criada como ponto de convergência para idéias na área prostética. Diferente das empresas que atualmente fabricam próteses e têm uma equipe de desenvolvimento fechada, o OPP está aberto a todos que tiverem algo a acrescentar, sem interesse comercial - daí o open.



O mais interessante é a capacidade de análise de revisão de soluções projetuais, já que boa parte dos usuários dos fóruns são usuários de próteses. São eles quem enxergam os pontos críticos que muitas vezes passam despercebidos aos não-amputados, antes mesmo da fabricação de um protótipo. Protótipos, aliás, tem sido pauta constante no site: atualmente se estuda a possibilidade de fabricar em massa a versão atualizada do Gancho Trautman, um aparelho para substituição em casos de amputação abaixo do cotovelo. Bastante simples e comum e barato antes do único fabricante fechar as portas, o Gancho é a menina dos olhos de muitos amputados, sendo remendados dezenas de vezes até simplesmente não terem conserto. 

            
Estudando o Projeto é possível ver o quão extraordinária a prototipagem é no desenvolvimento de produtos em que a forma é fundamental para a função. Processos como FDM (Modelagem por Fusão e Deposição, famosa pelas RapMan e outras impressoras 3d de baixo custo) são muito rápidos e implicam em baixíssimos custos ao mesmo tempo em que permitem uma avaliação detalhada da usabilidade do produto, que poderá, talvez, ser prototipado novamente por sinterização de alumínio ou aço.  E depois, claro, usado e abusado até quebrar e indicar qual o próximo passo. 

E para nos lembrar que a maioria das pessoas ainda não tem uma impressora 3d em sua própria garagem, só mesmo o bom e velho Lego.

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